Milho sobe com geada, dólar forte e demanda aquecida
O estresse hídrico no Centro-Sul e Matopiba trouxe preocupações para o mercado do milho. O calor excessivo e a irregularidade das chuvas, especialmente nas área

O estresse hídrico no Centro-Sul e Matopiba trouxe preocupações para o mercado do milho. O calor excessivo e a irregularidade das chuvas, especialmente nas áreas plantadas fora da janela ideal, geraram expectativas de corte no potencial produtivo do cereal segunda safra, oferecendo suporte aos preços regionais.
A disparada nos preços globais do petróleo impulsionou a competitividade do etanol de milho nas bombas, estimulando as usinas do Centro-Oeste a atuarem com força na originação do grão, o que ajudou a limitar quedas adicionais nas praças de negociação de Mato Grosso e Goiás.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta expressiva de US$ 2,86 no período. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência seguiu em direção contrária, fechando a R$ 67,88 por saca, queda de 1,05% na semana.
O que esperar do mercado do milho
A análise Grainsights indica os pontos de atenção para a semana. O clima é o principal fator de preço para o milho safrinha, com o avanço de uma massa de ar polar elevando o risco de geadas no Sul e a previsão do Inmet indicando tempo seco em Goiás e Mato Grosso do Sul. Esse cenário aumenta o risco de perdas, especialmente nas áreas plantadas mais tarde, e tende a elevar os prêmios nos contratos futuros da B3.
O mercado global do cereal ajustará suas posições de médio prazo com base no relatório Crop Progress, do USDA, previsto para esta segunda-feira (4). O plantio do milho norte-americano tem andado dentro das margens projetadas. Se o avanço das plantadeiras confirmar um ritmo forte, isso poderá pressionar as cotações em Chicago para baixo.
No mercado interno, a crescente demanda das indústrias de bioenergia atuará como contrapeso para sustentar as cotações. O etanol de milho manteve boa rentabilidade e competitividade devido à escalada internacional do petróleo, forçando as usinas do Centro-Oeste a atuarem agressivamente na originação do grão físico para garantir a moagem do segundo semestre.
O setor exportador nacional continuará avaliando a forte ameaça geopolítica à demanda, fruto da guerra no Oriente Médio. O Irã é um dos principais importadores do milho brasileiro. Com as tensões crescentes e as interrupções do trânsito marítimo no Estreito de Ormuz, o mercado teme que milhões de toneladas percam a segurança logística e sejam represadas, sobrecarregando os estoques internos.
Macroeconomia e oportunidades
O cenário econômico abriu o mês de maio precificando as decisões da "Superquarta", realizada na semana passada (29). A manutenção das taxas de juros estadunidenses (entre 3,5% e 3,75%) pelo Fed, justificada pela pressão de custos da guerra no Oriente Médio, combinada ao corte brando da Selic para 14,50% pelo Copom, firmaram um contexto propício à valorização constante do dólar frente ao real.
Esse câmbio forte é a principal alavanca atual do produtor para compensar a queda dos prêmios portuários. É fundamental que o produtor esteja atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos seus custos de produção, reforça o Grainsights.


