Setor de biodiesel amplia mistura e gera mais empregos
O setor de biocombustíveis afirma estar preparado para ampliar a mistura de biodiesel ao diesel fóssil e gerar mais empregos. A avaliação é de Donizete Tokarski

O setor de biocombustíveis afirma estar preparado para ampliar a mistura de biodiesel ao diesel fóssil e gerar mais empregos. A avaliação é de Donizete Tokarski, diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), em entrevista ao programa Rural Notícias.
Segundo Tokarski, o setor brasileiro tem capacidade para atender ao aumento gradual da mistura obrigatória, que atualmente é de 15%. Há previsão de avanço para 16%, com meta de chegar a 20% até 2030. "O setor está mais do que preparado. Hoje temos capacidade para produzir mais de 16 bilhões de litros de biodiesel por ano", afirmou.
O dirigente relacionou o cenário geopolítico internacional à importância dos combustíveis renováveis. Ele comentou os impactos dos conflitos internacionais sobre o petróleo e disse que "o biodiesel vem da terra e não da guerra". Tokarski ressaltou que o avanço dos biocombustíveis deve ser tratado como uma política permanente para o país, não apenas como resposta momentânea à crise global.
Tokarski também defendeu maior industrialização da soja no Brasil. Ele apontou que o país exporta atualmente mais de 100 milhões de toneladas de soja em grão, enquanto poderia ampliar o processamento interno para gerar mais farelo, biodiesel e proteína animal. "Nós temos que esmagar mais soja aqui no Brasil, aumentar a produção de farelo e, consequentemente, ampliar a produção de carne", afirmou.
De acordo com o diretor da Ubrabio, existem cerca de 60 indústrias de biodiesel com capacidade ociosa no país, enquanto o Brasil segue importando diesel fóssil. Ele destacou que produzir o combustível internamente gera emprego, renda e desenvolvimento no interior do país.
Tokarski destacou benefícios ambientais do biodiesel, como a redução das emissões de gases de efeito estufa e a melhora da qualidade do ar. Ele citou um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) que projeta impacto de R$ 403 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2030 com o avanço dos biocombustíveis previsto na Lei do Combustível do Futuro. A legislação estabelece metas de ampliação da participação do biodiesel, etanol, diesel verde e bioquerosene na matriz energética nacional. "O mundo exige mais alimentos e mais energia. O Brasil está pronto para fornecer energia de baixa emissão de carbono", concluiu Tokarski.


