Rally da Safra prevê queda no milho safrinha após clima irregular
O Rally da Safra inicia nesta semana a etapa de campo para avaliar a segunda safra de milho 2025/26 em meio a um cenário marcado por atrasos no plantio e irregu

O Rally da Safra inicia nesta semana a etapa de campo para avaliar a segunda safra de milho 2025/26 em meio a um cenário marcado por atrasos no plantio e irregularidade das chuvas em parte das regiões produtoras. A expectativa inicial é de queda na produtividade média em relação ao ciclo passado, que teve desempenho recorde.
As equipes começam os trabalhos nesta segunda-feira (11) e seguirão em campo até 23 de junho. A expedição vai percorrer áreas produtoras de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná para verificar as condições das lavouras e revisar as estimativas de produção.
Plantio atrasado aumenta risco
Segundo a Agroconsult, organizadora do Rally, o principal impacto nesta temporada veio do atraso na semeadura em algumas regiões. O excesso de chuvas em fevereiro e março prolongou o ciclo da soja e retardou a colheita, reduzindo a janela para implantação do milho safrinha.
Em Goiás, por exemplo, 46% das áreas foram plantadas fora da janela considerada ideal, aumentando o risco para o desenvolvimento das lavouras. Já em Mato Grosso, principalmente no Oeste e Médio-Norte, cerca de 95% das áreas foram implantadas dentro do período recomendado.
Além do calendário apertado, o clima também preocupa. Abril foi mais seco em diversas regiões e algumas áreas chegaram a ficar até 30 dias sem chuva. Segundo a consultoria, justamente as regiões que plantaram mais tarde registraram os menores volumes de precipitação.
Potencial produtivo recua
A avaliação prévia da Agroconsult mostra que o percentual de lavouras com alto potencial produtivo caiu em relação ao ciclo anterior. Em Goiás, apenas 39% das áreas mantêm potencial elevado, contra 62% na safra passada. Em Mato Grosso do Sul, o índice caiu de 53% para 39%. Em Minas Gerais, passou de 46% para 25%.
Mato Grosso segue como exceção. O estado ainda concentra cerca de 80% das lavouras com alto potencial produtivo, apesar de também registrar redução nas estimativas de rendimento.
A produtividade média nacional estimada antes do início do Rally caiu de 114,4 sacas por hectare na safra passada para 101,9 sacas por hectare em 2025/26. Com exceção de São Paulo, todos os principais estados produtores devem registrar recuo.
Goiás lidera as perdas projetadas. A produtividade no estado foi estimada em 90 sacas por hectare, ante 127 sacas no ciclo anterior. No Mato Grosso do Sul, a projeção caiu de 102 para 90,5 sacas por hectare. No Paraná, a estimativa passou de 104,5 para 92,5 sacas.
Mesmo com a redução, Mato Grosso continua com os melhores resultados previstos, com produtividade estimada em 123 sacas por hectare, frente às 131,9 sacas da temporada passada.
Produção de milho deve cair
A área plantada com milho segunda safra foi estimada em 18,3 milhões de hectares, alta de 1,5% sobre o ciclo anterior. Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul registraram crescimento próximo de 4%, enquanto Goiás e Minas Gerais tiveram retração em torno de 5%.
Com isso, a Agroconsult projeta produção de 112,1 milhões de toneladas para a segunda safra de milho, abaixo do recorde de 123,9 milhões de toneladas registrado em 2024/25. A produção total de milho no país foi estimada em 140,5 milhões de toneladas.
Segundo o coordenador da expedição, André Debastiani, o comportamento das chuvas em maio será decisivo para consolidar o potencial das lavouras. As avaliações de campo devem ajudar a ajustar os números finais até o encerramento da etapa milho, no fim de junho.


