Método com luz revoluciona análise de solos e corta custos
Um novo método para análise de solos coesos, desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, recebeu patente do Institu

Um novo método para análise de solos coesos, desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, recebeu patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A técnica utiliza espectroscopia de reflectância, que se baseia na interação da luz com o solo, combinada com ciclos de umedecimento e secagem. Isso permite diagnósticos mais rápidos e com menor custo.
O método foi criado no âmbito de uma pesquisa liderada pela doutoranda Ana Maria Vieira da Silva, com orientação do professor Raul Shiso Toma e participação do pesquisador Luiz Eduardo Vicente.
A principal inovação está na preparação das amostras. Diferente dos métodos tradicionais, que usam solo seco e peneirado, a nova abordagem simula condições naturais ao submeter o material a ciclos de umedecimento e secagem antes da análise espectral. Esse procedimento gera dados mais representativos sobre a composição físico-química do solo, especialmente em componentes como argilas e substâncias amorfas, ligados ao caráter coeso.
O uso da luz como principal insumo dispensa parte das análises químicas convencionais, que são mais lentas, caras e geram resíduos laboratoriais.
Aplicação pode avançar do laboratório para o campo
Inicialmente voltado à pesquisa científica, o método tem potencial para ser aplicado em condições de campo e em estufas, permitindo análises mais rápidas e acessíveis para experimentos agrícolas. A tecnologia também pode contribuir para o desenvolvimento de produtos para manejo de solos, como condicionadores, biochars e hidrogéis, que ajudam a reduzir a resistência do solo e melhorar seu desempenho produtivo.
Solos coesos limitam produtividade agrícola
O caráter coeso do solo é definido pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos e está associado a camadas endurecidas abaixo da superfície. Essas condições dificultam o crescimento das raízes, reduzem a infiltração de água e limitam a circulação de oxigênio. Esse tipo de solo é comum em diversas regiões do país, com maior concentração nos Tabuleiros Costeiros, faixa que vai do Amapá ao Rio de Janeiro, área de importância para a produção agrícola e logística.
Segundo os pesquisadores, a análise e o manejo adequados desses solos são fundamentais para melhorar a produtividade e garantir sistemas agrícolas mais sustentáveis.


