Mapa intercepta praga quarentenária em aspargos no Aeroporto
A Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), intercep

A Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), interceptou na última semana uma carga de cerca de 1 tonelada de aspargos importados do Peru. A ação ocorreu após a identificação da praga quarentenária Prodiplosis longifila, que está ausente no Brasil. O lote continha 200 caixas do produto e foi retido durante a fiscalização fitossanitária.
De acordo com o Mapa, as amostras coletadas foram enviadas ao laboratório no dia 8 de maio. A confirmação da espécie foi concluída nesta quarta-feira (13), com base em exame visual, análise morfológica em microscópio, consulta bibliográfica, reação em cadeia da polimerase (PCR) e sequenciamento genético.
A Prodiplosis longifila é conhecida por nomes como mosca-dos-botões-florais, larva-fura-botão, mosquinha-do-tomate e negrilla. Conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as larvas se desenvolvem no interior de tecidos vegetais, como botões florais, brotos terminais e frutos jovens. Esse comportamento provoca deformações, abortamento de flores e redução de produtividade, além de dificultar o controle no campo.
Ainda segundo a Embrapa, a praga pode atingir culturas de alto valor econômico, como tomate, aspargo, citros, pimentão, algodão, feijão, abacate, alcachofra e cebola. O inseto se adapta melhor a regiões de clima quente e elevada umidade relativa do ar, com capacidade de dispersão por voo de até 300 metros.
O Mapa informou que a atuação do Vigiagro busca impedir a entrada e a disseminação de pragas ausentes no território nacional em aeroportos, portos e postos de fronteira. Estudos da Embrapa Territorial indicam que uma eventual introdução da espécie no Brasil poderia elevar custos de manejo, afetar cadeias produtivas estratégicas e gerar restrições comerciais. Regiões de fronteira no Norte e polos produtores de citros e hortaliças estão entre as áreas de maior atenção fitossanitária.
Em países onde a praga já está presente, como Peru e Colômbia, há registro de perdas severas, principalmente em tomate e citros, além de reforço nas medidas de controle e manejo integrado. O caso em Guarulhos reforça a importância da fiscalização preventiva para reduzir o risco de estabelecimento da praga no país.


