Turra critica lentidão da transição energética no Brasil
As atenções do mundo se voltam mais uma vez para o papel do Brasil no processo de transição energética. Durante a Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, o p

As atenções do mundo se voltam mais uma vez para o papel do Brasil no processo de transição energética. Durante a Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país tem vantagens competitivas na produção de biocombustíveis e de energias limpas.
Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura, reforça que o Brasil tem um potencial imenso para crescer nesse aspecto. Ele também é presidente do Conselho de Administração da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio). Cerca de 90% do biodiesel brasileiro vem da soja atualmente.
Turra lembra que o país colhe cerca de 170 milhões de toneladas da oleaginosa, mas apenas aproximadamente 25 milhões de toneladas são destinadas ao biodiesel. Ele afirma que isso mostra um grande potencial de expansão no uso da soja para esse fim.
Apesar disso, o processo para reduzir o uso de combustíveis fósseis, como o petróleo, ainda é lento, na avaliação dele. Turra diz que combustíveis fósseis e carvão representam cerca de 20% do consumo, mas respondem por 40% das emissões de CO2. Este é um ponto central quando se fala em transição energética.
O que falta para o Brasil avançar?
Na visão do ex-ministro, o avanço esbarra em questões internas, como o percentual de mistura de biodiesel ao diesel, que considera ainda muito abaixo do ideal. Atualmente, o mandato em vigência no Brasil é o B15, com 15% de mistura. Entidades do setor produtivo afirmam que há capacidade para atender a uma mistura de até 21,6%.
Segundo Turra, há espaço para ampliar o uso dos biocombustíveis por meio de outras fontes, como canola, óleo de palma e gordura animal. Ele alerta para uma alegação da Europa sobre o biodiesel feito a partir de soja.
Ele explica que, na Europa, o biodiesel de gordura animal é o principal importado, sob a justificativa de que o biodiesel de soja competiria com a alimentação humana. Turra complementa que isso não é verdade, porque, sem o biodiesel, haveria excesso de óleo de soja e não se teria o atual nível de produção.
Na mesma linha, o presidente Lula criticou propostas europeias sobre biocombustíveis. Ele citou um mecanismo de cálculo de carbono que desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis. O posicionamento ocorre dias antes do acordo entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor, previsto para 1º de maio.
A transição para uma matriz energética mais limpa é um debate global constante. O setor de transportes, grande consumidor de derivados de petróleo, é um dos focos principais dessa mudança. No Brasil, a discussão envolve não apenas a capacidade produtiva, mas também políticas públicas e marcos regulatórios que definem os percentuais de adição de biocombustíveis aos combustíveis tradicionais. A definição dessas regras impacta diretamente investimentos, a geração de empregos no setor e os objetivos ambientais do país.



