Praga ameaça pomares de mirtilo no Distrito Federal
O Distrito Federal enfrenta uma explosão populacional de moscas-das-frutas nativas e a chegada de uma nova praga, a Drosophila suzukii, que ameaça pomares da re

O Distrito Federal enfrenta uma explosão populacional de moscas-das-frutas nativas e a chegada de uma nova praga, a Drosophila suzukii, que ameaça pomares da região. A situação é considerada crítica para culturas sensíveis e de alto valor agregado, como o mirtilo, que pode se tornar economicamente inviável no Cerrado.
O alerta vem de um projeto de pesquisa e monitoramento iniciado em 2023 pelos pesquisadores Elisângela Fidelis e Marcelo Lopes, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com a Secretaria de Agricultura do Distrito Federal (Seagri). Os dados mostram que a infestação atual é seis vezes superior ao limite tolerável para o mercado comercial.
A ciência usa o índice Mosca/Armadilha/Dia (MAD) para medir o perigo nos pomares. Para uma produção segura, o índice deve ficar abaixo de 0,5 moscas capturadas por dia. No entanto, o levantamento em cultivos de goiaba encontrou números entre 2,5 e 3,0. “A diversidade de espécies não aumentou drasticamente desde a década de 1990, mas a quantidade de indivíduos cresceu muito”, afirma Marcelo Lopes.
Esse excesso populacional gera um ciclo vicioso. As fêmeas depositam ovos dentro dos frutos, e as larvas consomem a polpa, causando queda prematura da produção. “Se o produtor deixa a fruta no chão, ele está mantendo um berçário para a praga”, detalha Lopes.
A superpopulação também é um entrave para a exportação. Países como os da União Europeia, Estados Unidos, China e Japão impõem restrições a frutas de áreas com alta infestação, com medo de que larvas “escondidas” infestem seus territórios. Apesar disso, o DF permanece livre de pragas quarentenárias, como a mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae), restrita a estados do Norte.
Nova ameaça
A grande novidade negativa é a detecção da Drosophila suzukii. Diferente de outras moscas, que atacam frutos já feridos ou podres, esta espécie consegue perfurar a casca de frutas intactas e de pele fina enquanto ainda estão no pé. “A suzukii consegue perfurar a casca de frutos perfeitamente sadios”, explica Marcelo Lopes.
Os pesquisadores afirmam que o mirtilo e o morango são apostas de diversificação para o pequeno e médio produtor do DF. Sem um controle rigoroso, o valor comercial dessas frutas pode ser reduzido a zero, já que a presença de uma única larva inviabiliza a venda para grandes redes e mercados externos.
Para o monitoramento, os pesquisadores instalaram armadilhas em pontos estratégicos, como a Ceasa, feiras e propriedades rurais. As armadilhas contêm substâncias que atraem os machos para uma base colante, permitindo identificar rapidamente o que circula no ambiente.
Elisângela Fidelis e Marcelo Lopes alertam que é possível reduzir os índices de infestação com a aplicação correta de técnicas de manejo e vigilância constante, para que o polo de fruticultura do DF se torne produtivo e competitivo em nível global.



