BNDES aprova R$ 84 mi para combater bicudo da cana
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 83,96 milhões em financiamentos para três projetos do Centro de Tecnologia Canavieira

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 83,96 milhões em financiamentos para três projetos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Os recursos vão apoiar o desenvolvimento de sementes sintéticas de cana-de-açúcar e de uma variedade resistente ao bicudo da cana.
Os valores serão liberados por meio da linha BNDES Mais Inovação. Eles integram investimentos totais de R$ 165,54 milhões, que incluem ainda R$ 72,9 milhões da Finep e R$ 8,68 milhões em recursos do CTC.
Segundo o banco, o dinheiro pode ser usado em obras civis, compra de máquinas, serviços técnicos e atividades de pesquisa e desenvolvimento. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que o banco está empenhado em fortalecer a produção agrícola brasileira e a inovação no campo. Ele afirmou que os projetos do CTC, com a meta de dobrar a produtividade da cana até 2040, estão alinhados aos compromissos do governo com o desenvolvimento e a descarbonização.
Sementes sintéticas entram no foco
Dois dos projetos financiados estão ligados ao avanço das sementes sintéticas de cana, tecnologia em desenvolvimento pelo CTC desde 2013. A proposta é substituir o plantio convencional, que utiliza colmos, por um modelo mecanizado baseado em sementes. No sistema atual, cada hectare pode demandar mais de 16 toneladas de colmos para plantio. Pela nova tecnologia, esse volume poderia ser reduzido para cerca de 400 quilos de sementes sintéticas por hectare.
Segundo o CTC, a mudança pode reduzir o uso de combustível, a compactação do solo e o consumo de insumos, além de ampliar as áreas disponíveis para plantio. A semente sintética é produzida in vitro a partir de material biológico com capacidade de regenerar a planta e recebe estrutura protetiva para armazenamento, transporte e plantio mecanizado.
Planta-piloto será construída em Piracicaba
Parte dos recursos será usada para implantar a primeira planta industrial de demonstração para produção de sementes sintéticas. A unidade ficará na Fazenda Santo Antônio, sede do CTC em Piracicaba (SP). O espaço terá 10 mil metros quadrados e capacidade para produzir sementes para o plantio de até 500 hectares por ano. A operação prevê a contratação de 72 profissionais.
O CEO do CTC, César Barros, afirmou que o uso da semente sintética será uma disrupção na forma de plantar cana. Outro projeto apoiado prevê pesquisas para ampliar a germinação, a seletividade do material biológico e o prazo de armazenamento das sementes.
Projeto busca resistência ao bicudo da cana
O terceiro financiamento aprovado será direcionado ao desenvolvimento de uma variedade resistente ao Sphenophorus levis, conhecido como bicudo da cana-de-açúcar. A praga afeta áreas produtoras de estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e pode comprometer o desenvolvimento das plantas. Segundo o CTC, o projeto será conduzido em parceria com instituições de ciência e tecnologia.
Meta é ampliar produtividade até 2040
Os projetos integram a estratégia do CTC para elevar a produtividade da cana até 2040, com foco em biotecnologia, melhoramento genético e eficiência produtiva. Hoje, variedades desenvolvidas pela empresa respondem por parte da produção nacional de cana, de acordo com o centro de pesquisa.



